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Entrevista Manuel Alves: o que vestir para ir a um casamento?



Em conversa com Manuel Alves & José Manuel Gonçalves
A dupla de criadores Manuel Alves & José Manuel Gonçalves, estilistas portugueses, e vencedores de inúmeros prémios é reconhecida internacionalmente pelas suas criações de moda. Fomos ouvir as últimas tendências da moda e saber o que devem os convidados vestir para uma festa de casamento…

P: Qual a tendência da moda para 2008?
R: Rigor na construção, retorno às formas mais puras, tendência à simplificação, grande importância dos detalhes, modernidade e complexidade na construção e no corte. Relativamente ao uso da cor, penso que não varia muito, cada um faz o que quer. Aliás, a moda deixou de ser ditadora. Não há padrões,. Diria até que temos, actualmente, a inteligência ao serviço da moda.

P: Escolher um vestido para uma festa de casamento requer algumas regras. Quais?
R: Antes de mais, os convidados não usam, em Portugal, vestidos compridos para festas de casamento (se o casamento for ao fim do dia poderá levar-se um vestido longo, mas não deve ser comprido.) Para além disso, assume-se uma postura mais formal numa cerimónia religiosa, evitando-se decotes grandes, vestidos demasiado curtos. Se o casamento for à hora de almoço, opta-se por uma maior sobriedade e descrição, evitando-se brilhos, decotes, toilletes demasiado espampanantes e poucos adereços. As festas de dia não têm a sofisticação e o brilho da noite. A escolha de um vestido para um jantar tem uma componente mais lúdica, mais ligada ao prazer, à dança, à exuberância. À noite usam-se jóias, cores, decotes, e tudo o que o dia não permite. Para além disso, em Portugal, o protocolo recomenda que as senhoras não vão de branco. No estrangeiro, esse condicionalismo não existem. Os convidados vestem-se como querem: bege, branco, branco sujo…

Em Portugal não se usam
vestidos compridos para
festas de casamento."

P: O design de um vestido depende também do local da festa de casamento?
R: Teoricamente um vestido feito para ser usado no campo ou na cidade tem um estilo diferente. Embora não partilhe completamente dessa teoria, reconheço que o ambiente e o clima que se gera num espaço rural é diferente de uma festa num palacete ou num hotel. É mais intimista, menos sofisticado, mais natural e, talvez isso influencie a escolha do vestido.

Os acessórios mais apropriados
P: Quando desenham uma toillete recomendam também os acessórios mais apropriados?
R: Sim, por vezes recomendo estilo de sapatos a comprar, as melhores marcas ou, em certos casos, mando fazer. Recomendo também as jóias a levar e tudo o que faça parte da imagem global.

P: Uma vez que em Portugal temos marcas com tanta qualidade, qual a vantagem de se mandar fazer um vestido?
R: A vantagem é poder ter um vestido adaptado ao corpo e usufruir de um trabalho feito para uma pessoa, com um corpo e um estilo específico. Por outro lado, há uma cumplicidade e participação na escolha do vestido diferente do acto de comprar numa loja. A nossa imagem está relacionada com inúmeras questões, desde a sedução, à falta de auto-estima, ao amor-próprio, etc e um vestido sintetiza, muitas vezes, o sonho daquilo que não se tem. Nesses casos, a expectativa e o impacte da imagem perante os outros é grande.

Segundo o protocolo
as senhoras não vão vestidas de branco
aos casamentos."

P: Numa festa de casamento as atenções estão centradas na noiva e, logo depois para a sua mãe. Quais as recomendações para a sua toillete?
R: A mãe da noiva deve ter um ar formal e chique, sem estar demasiado sofisticada, pois é ela quem nivela a festa. Sendo a anfitriã, deve estar adaptada aos tempos com modernidade e elegância. De resto, a escolha é livre.

Tendências 2008
P: Como define a tendência dos vestidos de noiva para 2008?
R: Tendência à simplificação das linhas, sem saiotes, armações e volumes. O design dos vestidos de noiva é semelhante a um vestido de noite, bonito, elegante, sensual e sexy. Os vestidos são mais leves e lânguidos. O véu continua a ser importante, pois faz parte do imaginário da noiva e do ritual da cerimónia.

P: O que contribui para se terem tornado uma dupla reconhecida internacionalmente?
R: Talvez o facto de sermos criteriosos, exigentes, críticos connosco e com os outros. Se temos ou não talento, os outros que o digam. Aquilo que caracteriza o nosso trabalho é a coragem, a determinação, o rigor, a honestidade, a autenticidade e a coerência.

P: Como é que isso se traduz na moda e no estilo que propõe?
R: Somos curiosos, oportunos no tempo e estamos constantemente à procura de novos conhecimentos. A cultura, as viagens, os livros, as pessoas com quem contactamos são muito importantes neste percurso. Temos que estar actualizados e atentos ao que se passa no mundo e à nossa volta.

Novos modelos
P: O que mais vos inspira a desenhar novos modelos e colecções?
R: Tudo o que se passa nas novas gerações, desde a Internet, à música, à literatura, à arte. Quando fazemos as nossas colecções temos uma grande liberdade de criação. Já no trabalho do dia-a-dia, temos que lidar com a complexidade de cada pessoa, o seu corpo, a sua atitude e o seu estilo, compreendendo-a e adaptando-nos. Muitas pessoas não têm noção do que é a moda contemporânea e, com essas, temos um trabalho diferente.

P: Qual o vosso método com os clientes? Mostram a vossa colecção para perceber o estilo de cada um?
R: Falamos com as pessoas cerca de meia hora, tentamos perceber qual o seu estilo, a sua personalidade, se está ligada a um mundo estético atraente e, caso não esteja, o que precisa para se tornar atraente. Tiro um retrato geral da pessoa, vejo o tipo de corpo, a tez, o cabelo, etc. Anoto o que sinto e, no final, faço uma síntese. Na segunda visita, temos propostas autênticas para apresentar.

P: Por último, mostram revistas para tirar ideias?
R: Nunca. Por vezes, as pessoas chegam ao atelier e pedem para adaptar um dos vestidos da nossa colecção ao seu corpo. Quando recebemos noivas tentamos perceber qual o sonho que têm, o que imaginam para o dia de casamento, como gostariam de se sentir… Não preciso que me digam que tipo de vestido querem que faça, nem que tragam revistas de noivas, pois o meu papel é criar. Mas, é necessário que haja um equilíbrio entre aquilo que proponho e o que as pessoas gostam. Tento fazer o melhor possível, aliando o meu campo estético ao gosto de cada pessoa.

Para mais informações: Inês Menezes. E-mail: imenezes@casamentoclick.com


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